Estudo sugere que risco de reinfecção é maior pela variante Delta

Estudo com participação da Fiocruz apontou que o soro de pessoas previamente infectadas por outras cepas é menos potente contra a variante Delta, detectada inicialmente na Índia

Maria Eduarda Cardim

Dias após o Brasil confirmar duas mortes pela variante Delta do novo coronavírus, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) informou que um estudo, com participação de pesquisadores da Fiocruz recém-publicado na revista científica Cell., indicou que a variante detectada inicialmente na Índia pode aumentar o risco de reinfecções.

“A pesquisa aponta que o soro de pessoas previamente infectadas por outras cepas é menos potente contra esta variante viral”, disse a Fiocruz.

Segundo o estudo, o problema foi observado entre indivíduos que já foram infectados pela variante Gama, identificada em Manaus, e também por pessoas já infectadas pela variante Beta, detectada pela primeira vez na África do Sul. “Nestes casos, a capacidade de neutralizar a cepa Delta é 11 vezes menor”.

A pesquisa foi liderada pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, mas contou com a colaboração científica envolvendo 59 pesquisadores de outros países, como Estados Unidos e Brasil.

O estudo também constatou que o soro de pessoas vacinadas contra a covid-19 também tem potência reduzida contra a variante delta. “A capacidade de neutralizar a cepa é 2,5 vezes menor para o imunizante da Pfizer e 4,3 vezes menor para o da Astrazeneca”, informou a Fiocruz, que ressalta contudo que, mesmo com redução de neutralidade da cepa Delta, as vacinas continuam sendo efetivas.

A variante Delta emergiu na Índia em outubro de 2020 e se tornou uma preocupação. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, 11 casos da variante delta foram detectados até 19 de junho.

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