Covid leve também gera sintomas persistentes, aponta estudo

Complicações são detectadas em mais da metade de jovens e adultos seis meses depois da infecção pelo Sars-CoV-2. Pesquisa da Noruega feita com 312 pacientes também mostra que perda de olfato e/ou paladar e fadiga estão entre os problemas mais recorrentes

Paloma Oliveto

Mais da metade dos jovens e adultos de 16 a 30 anos que tiveram a forma leve a moderada de covid-19 sofre sintomas persistentes até seis meses depois, segundo um estudo norueguês publicado, ontem, na revista Nature Medicine. Diferentemente de outras pesquisas que avaliaram os efeitos da infecção em longo prazo, nessa, os cientistas se interessaram particularmente nos pacientes que não chegaram a ser hospitalizados, pois seus quadros não eram graves.

Durante seis meses, o estudo acompanhou 312 pacientes — 247 isolados em casa e 65 hospitalizados —, o que corresponde a 82% do total de casos na cidade de Bergen durante a primeira onda pandêmica na Noruega. Ao fim desse prazo, 61% do total apresentavam sintomas persistentes.

Os pesquisadores descobriram que 52% dos pacientes isolados em casa apresentaram sintomas aos seis meses, incluindo perda de paladar e/ou olfato (28%), fadiga (21%), dispneia (13%,), concentração prejudicada (13%) e problemas de memória (11%). “Essas descobertas de que jovens adultos que tiveram covid leve a moderada correm o risco de dispneia e sintomas cognitivos prolongados destacam a importância de medidas de controle da infecção, como a vacinação”, destaca a líder do grupo, professora Nina Langeland. “Os sintomas cognitivos de memória prejudicada e dificuldades de concentração são particularmente preocupantes para os jovens em idade escolar ou universitários e destacam a importância da vacinação para prevenir as implicações de longo prazo do covid-19 na saúde”, concorda o primeiro autor do artigo, Bjørn Blomberg.

Os pesquisadores reconhecem que as causas dos efeitos prolongados de covid-19 são amplamente desconhecidas. “A fadiga crônica ocorreu após a infecção por Sars, em 2003, e é uma manifestação bem conhecida na sequência de um espectro de doenças infecciosas. Antes da pandemia de Sars-CoV-2, a internação do paciente em terapia intensiva era frequentemente associada ao declínio físico e mental, e isso poderia explicar, parcialmente, a covid prolongada em pacientes com doença grave”, diz Blomberg. “No entanto, isso não está bem esclarecido quando a pacientes com doença leve a moderada.”

Medidas de controle

David Strain, pesquisador da Universidade de Exeter, na Inglaterra, nota que “é preocupante que mais da metade da população de 15 a 30 anos relate sintomas contínuos por mais de seis meses”, dado que o número de casos de covid-19 vem aumentando nas populações mais jovens. “Os resultados destacam a importância de evitar a infecção por meio de medidas de controle que incluem a vacinação em adultos jovens, mesmo que eles estejam apenas sob risco de covid leve.”

Contudo, Strain destaca uma fragilidade do estudo: a falta do grupo de controle — pessoas da mesma faixa etária, que não tiveram covid-19 e acompanhadas pelo mesmo período. “Quantas pessoas sofrem de forma semelhante após terem resfriados comuns ou gripes? O quanto o acompanhamento intensivo e o alto nível de interesse e ansiedade afetaram os resultados?”, questiona, lembrando que, “como sempre, são necessárias mais pesquisas”.

» 60% de proteção com dose única

Um estudo publicado na revista The Lancet Infectious Diseases mostra que, para residentes de lares de longa permanência acima de 65 anos, uma única dose da vacina da Pfizer ou da AstraZeneca oferece cerca de 60% de proteção contra a infecção por Sars-CoV-2. Segundo os autores, da Universidade College Londres, os resultados também sugerem que a vacinação tem um efeito sobre a transmissibilidade do vírus. Os efeitos da dose única foram observados por pelo menos sete semanas após a vacinação.

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