CAOScast: Como a pandemia impactou a vida dos solteiros

É claro que a pandemia não está sendo fácil para ninguém. Mas, além do luto, da preocupação constante e do cansaço geral, os solteiros estão lidando ainda com a solidão. Especialistas em comportamento e relações humanas, os caóticos trazem nesta semana ao TAB um episódio sobre as difíceis escolhas de quem não tem um chamego para chamar de seu nesses últimos tempos.

Se antes mesmo de março de 2020 as relações já estavam mudando — o que a trupe do CAOScast chama de relações beta —, a pandemia veio para bagunçar ainda mais a área afetiva. “Uma relação beta é aquela em que a gente quer jogar o jogo, mas não está bem satisfeito com as regras tradicionais — e a gente acaba criando assim as nossas próprias regras para estar nesse game, para poder se relacionar dentro de outros parâmetros que não os antigos.No campo das relações amorosas, uma relação beta é um contratinho. Eu gosto de chamar de relações em construção — que não têm um início muito marcado como a gente tem quando fala de pedir em namoro oficialmente, por exemplo. É a relação que vai se desenrolando”, explica a pesquisadora Rebeca de Moraes.

Mesmo esses relacionamentos indefinidos exigiram uma conversa franca sobre cuidados com a saúde. Sem a possibilidade de encontrar alguém espontaneamente — ou mesmo de manter diversos contatinhos ao mesmo tempo —, diversos casais definiram exclusividade sem namoro, para suprir a necessidade de afeto e contato físico diminuindo os riscos de contaminação por coronavírus: são os contratinhos pandêmicos.

“São acordos e combinados estabelecidos entre os parceiros, que precisaram ser feitos justamente por conta da pandemia. Se a gente vinha dessa leva de uma relação onde a gente tinha que ficar interpretando o que o outro fazia para saber se o negócio rola ou não rola, se outro te quer ou não quer mais, agora não dá mais para ser assim.A gente está num mundo pandêmico, o que não falta é protocolo para fazer tudo, não tem mais espontaneidade para nada. Então as regras que funcionam antes não estão mais simples”, diz no episódio a líder de pesquisa da Consumoteca, Marina Roale.

Até mesmo Tiago Faria, o solteiro entre os caóticos, confessa: “Eu estou me prevenindo e me arriscando o menos possível. Acho que na coisa do ‘vale a pena?’. Não vou ser hipócrita e dizer que nesse período eu não encontrei ninguém, mas selecionados, muito mais do que seria em outros tempos”.

E não foi só a vida afetiva dos solteiros que mudou nesses tempos. Muitos casais que tinham começado a ficar casualmente no começo de 2020 aceleraram a oficialização do relacionamento, outras relações mais estabelecidas viraram casamento ou pelo menos mudança para morar junto, e assim por diante.

Para a trupe, o legado da pandemia nas nossas relações amorosas pode ser o de nos tornar mais seletivos (depois do primeiro Carnaval pós-pandemia, claro!). “Parece que esse pode ser um dos legados, pelo menos a curto e médio prazo, que essa pandemia já vem trazendo para a gente: esse olhar mais pragmático sobre as relações. Já que eu não posso ter aquela liberdade e a casualidade que eu tinha de uma vida de experimentações que o solteiro tem, de repente valha mais a pena estar junto. Não porque agora eu sou super romântico, mas porque a conta fecha de uma maneira mais interessante”, diz Roale.

Deixe uma resposta