Perda auditiva: sinais iniciais e prevenção

Entenda as causas, saiba como identificar primeiros sintomas e evite progressão do problema, que pode surgir a partir de fatores genéticos, sobretudo

Ter dificuldade para ouvir conversas em ambientes ruidosos, falar alto, apresentar sensação de zumbido, sentir dores e até mesmo ouvir um som abafado são alguns dos sinais de quando algo não está indo bem no ouvido. Normalmente, costuma-se associar problemas auditivos à idade, mas há outros fatores, inclusive genéticos, que podem ser até mais determinantes para o surgimento desse tipo de complicação.

No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) levantou que a perda auditiva atinge 1,2% do sexo masculino contra 1% do sexo feminino, e essa pequena vantagem das mulheres pode ser justificada por um estudo realizado pela Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, que descobriu que o risco de perda auditiva é cinco vezes maior em homens do que em mulheres. Segundo a pesquisa, isso acontece porque os hormônios femininos funcionam como uma proteção para a audição, o que desacelera o processo de diminuição da capacidade auditiva.

O otorrinolaringologista Virgílio Carneiro Leão, do Hospital Jayme da Fonte, esclarece que problemas auditivos podem ser causados por doenças congênitas e infecções e pelo envelhecimento das células do ouvido interno, além de uma série de comportamentos que não só estimulam a diminuição da capacidade auditiva, como também aceleram esse processo.

“Pessoas de todas as idades podem ser acometidas por problemas auditivos. Por isso que um bebê quando nasce faz o teste da orelhinha, para checar se está tudo bem”, explicou Virgílio. “Existe também a presbiacusia, que é a perda auditiva nos idosos, natural do processo de envelhecimento. No entanto, os jovens também estão propensos a deficiências auditivas, seja por usar um fone de ouvido muito alto ou por trabalhar perto de um ruído sem a devida proteção, causando um dano ao órgão”, complementou. O profissional destaca ainda que é de extrema importância que qualquer problema seja diagnosticado no início para evitar danos maiores. “Há problemas reversíveis e irreversíveis. Porém, os danos irreversíveis podem parar de progredir quando descoberta e tratada a causa”, concluiu Carneiro Leão.

DJ, Camarones sempre fica muito exposto a sons em volumes elevados durante as suas apresentações, mas, até hoje, não apresentou nenhum problema. Apesar de nunca ter usado proteção auricular, ele reconhece que seria o mais indicado para o seu trabalho. “Acredito que um protetor intra auricular seja legal para algumas situações, mas nunca usei. Às vezes, utilizo o próprio fone de ouvido, que isola bem o ruído quando eu sinto que o som da festa é muito alto e eu sei que vou ficar exposto a ele por muito tempo”, disse.

Cabeleireira há 15 anos, Sandra Pimentel, que tem 47, já foi vítima do desconforto causado pela exposição ao ruído. No caso dela, o barulho contínuo do secador é o vilão. “Por várias vezes já cheguei em casa com um zumbido no ouvido, que se intensifica no silêncio, na hora que eu estou indo dormir. Ele costuma aparecer nos dias em que eu trabalho mais, ou seja, passo mais tempo ouvindo o barulho do secador”, contou Sandra.

Fonoaudióloga e mestranda em Saúde da Comunicação Humana, Midiane Gomes alerta que, além de evitar expor o ouvido a sons ou não se proteger em meio a um ambiente com muito barulho, é preciso ter cuidado com a higiene. “É imprescindível manter as orelhas secas. O excesso de umidade no ouvido pode trazer bactérias, que podem atacar o canal auditivo. No entanto, essa limpeza precisa ser cuidadosa. Hastes flexíveis de algodão não são indicadas para isso”, elucidou. Midiane pontua ainda que o tratamento vai depender de cada caso, mas ressalta a importância de um diagnóstico precoce para a obtenção de maior sucesso nos cuidados.

Marjourie Corrêa e Andressa Carolina
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